É curioso como nós, seres humanos, temos propensão a cultivar idolatrias.
Rica ou pobre. jovem ou madura, toda pessoa tem ao menos um super-herói; alguém que, a seus olhos, difere do resto da humanidade, e que, sob a luz dos holofotes, desperta-lhe veneração sobre-humana.
A bela dama suspira ao ver seu galã predileto na TV. O torcedor na arquibancada delira com o craque do seu time. Nos shows musicais, mocinhas sonhadoras gritam, choram e desmaiam quando avistam no palco seu cantos favorito.
No entanto, quantas mulheres ainda suspiram por seus maridos, e vice-versa?
Quantos filhos nesse mundo aplaudem o esforço de suas mães para lhes dar comida e estudo?
No hospital, uma velha enfermeira dá remédio a um doente, e, numa casa de subúrbio, um pai de família sai em busca de alimento para os seus - maus ninguém presta atenção, não há ninguém para aplaudir. Quem se importa se, neste momento, um policial arrisca a vida para evitar um assalto? Quem liga se, neste instante mesmo, um bombeiro enfrenta as chamas para salvar uma criança?
Não. Nosso super-heróis nunca estão fazendo coisas tão banais. Eles estão geralmente nas telas e nos palcos. Por um autógrafo ou ingresso para um show, tem gente que é capaz de ficar numa fila, com frio e com fome, durante horas a fio. Mas, com sinceridade: quantos de nós seriam capazes de levantar mais cedo da cama, sem reclamar, para fazer café a um irmão?
A verdade é que, geralmente, nossos verdadeiros heróis são anônimos; eles não conhecem a fama, e estão mais perto do que supomos. Gente que quase nem percebemos, a quem não pedimos autógrafo, por quem não suspiramos, que jamais aplaudimos. Pessoas comuns, a quem não damos valor, mas para as quais, muitas vezes, somos os atores principais deste espetáculo chamado vida. Gente que se importa com nossa sorte e que nos ama de verdade, apesar de não sermos nem estrelas, nem famosos, nem heróis...
Essa cronica, faz parte do Livro Melhores Pensamentos Vol. II de Renato Gaúcho.
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